Me formei em Arquitetura, e agora?

Você acabou de terminar a faculdade de arquitetura ou está no ultimo ano?

Se sim, o post de hoje é especialmente para você. Vamos falar um pouco sobre o que fazer depois de se formar, sobre a insegurança, as dificuldades e como enfrentá-las, por isso conversei com uma convidada especial, Kátia Maia, é arquiteta formada desde 2014 pela Universidade Paranaense – UNIPAR em Umuarama e atualmente trabalha em seu próprio escritório (Habitat – Arch Design) em Terra Roxa – PR, ela respondeu algumas perguntas, deu várias dicas e mostrou um pouco do seu trabalho.

Segue entrevista:

 SAPF: Antes de se formar, você já sabia o que iria fazer (se abriria escritório, faria concurso ou iria procurar emprego em alguma empresa ou escritório)?

 Kátia: Sim, sempre imaginei ter um escritório ou trabalhar em algum. Logo na conclusão do curso durante um ano continuei no escritório que estagiava, mas com a crise não foi possível continuar. Tive dificuldades em um recomeço, na situação que nosso país se encontrava. Tentei entregar currículos na cidade e região, falar com amigos, mas eles também estavam precisando de emprego, fiquei quatro meses na insistência, mas não é tudo legal assim, não consegui o emprego, vaga, concurso, nada. Então, é aí que tudo mudou, o desespero bateu, ninguém da minha família me pressionava, mas eu tinha muita expectativa neste curso, é um curso ótimo mesmo! Mas precisa ter um pouco “pé no chão” com nossas expectativas, ser arquiteto de revista é bom, mas pagar boletos gente é melhor ainda. Então, comecei a procurar vagas diversas, além de arquitetura, trabalho é trabalho.  Consegui uma vaga como caixa de depósito de construções, não vou negar, chorei todos os dias durante um mês, logo o choro foi diminuindo de frequência, a vergonha foi passando. No novo emprego conheci pessoas lindas interiormente que mereciam ganhar muito mais que alguns engenheiros e arquitetos arrogantes que encontramos pela vida, neste tipo de situação aprendemos o quanto algumas pessoas amam ver sua derrota e outras torcem pela sua vitória, por fim percebi que estava com vergonha de pessoas que nunca se importaram com o próximo, que não acrescentavam nada em minha vida. Fiquei lá por seis meses, aprendi o quanto podemos precisar de outras pessoas, temos nosso próprio valor e precisamos urgentemente respeitar o próximo. O fato de não estarmos onde gostaríamos em nossas vidas, não significa que não estaremos lá em breve. Significa simplesmente que ainda não estamos prontos. A verdade é que estamos exatamente onde devemos estar neste exato momento para aprender as lições que nos levarão até lá. Atualmente consegui abrir meu escritório e estou agradecida pelo o que consegui até agora.

SAPF: Segundo sua experiência, vale a pena abrir escritório logo após se formar?  E o que, em sua opinião, é importante levar em conta antes de abrir um escritório?

 Kátia: Nossa profissão é muito ampla de possibilidades. Antes de tudo sentar e analisar como está o mercado da região e suas necessidades. Trabalhar com parcerias é interessante para todos, mas faça parecerias com pessoas confiáveis.

 SAPF: Que dica você daria para alguém que acabou de se formar e pensa em abrir um escritório?

 Kátia: Se é o que a pessoa deseja, abra sim, ache um local que não precise de muitas alterações e com visibilidade, reúna um valor para reforma, móveis e fluxo de caixa. O escritório vai começar a se pagar a partir do quarto mês. Não desista, ainda mais quando alguém falar que já tem muito escritório na cidade, parcerias, sociedade ou mesmo fazer tudo sozinho(a) deve ser estudado antes.

SAPF: Quais as dificuldades e as vantagens de se trabalhar em uma cidade pequena?

Kátia: A dificuldade é ganhar a confiança e assegurar que a obra será 100% perfeita, mas se acostumem raramente agradamos alguém 100%, o jeito é fazer o certo e rezar. A vantagem é que todo mundo se conhece, as indicações entre clientes são maiores.

SAPF: Como ter uma boa relação com os clientes e com os funcionários na obra?

Kátia: Respeito e no mínimo, bom dia, boa tarde, obrigada, na obra e na vida! Ser pontual com datas, se prometeu o projeto até uma data o cumpra, até se precisar passar a noite projetando, se organize para que pelo menos o cliente e o construtor estejam com projeto em mãos antes da obra começar a ser executada.

SAPF: Fale um pouco sobre a relação entre arquiteto x engenheiro. Qual a importância de se ter um engenheiro de confiança?

Kátia: A relação entre o Arquiteto e o Engenheiro é delicada, uma parceria é como uma sociedade de negócios, ou dá muito certo ou muito errado. É importante ter um engenheiro(a) em que possamos confiar para tirar dúvidas e trocar conhecimentos.

SAPF: Em sua opinião o arquiteto deve entender também da parte de engenharia, por exemplo, o estrutural? O que se aprende na faculdade já é suficiente ou é importante buscar se aperfeiçoar nesse tema?

Kátia: É interessante ser curioso, pesquisar e se tiver mais interesse ainda, se especializar. Mas se este não for seu foco é aí que as parecerias funcionam. Realmente o que aprendemos na faculdade é bem breve e superficial, mas o interesse em ampliar os conhecimentos varia para cada pessoa. Senti um desejo grande nesta área e estou gostando do que estou aprendendo na especialização.

SAPF: Sobre especialização, fale um pouco sobre sua pós, como escolheu o tema e como isso tem acrescentado em seu trabalho.

Kátia: A ideia de fazer uma especialização em Estruturas de Concreto, que é mais área de Engenheiros, surgiu a partir de uma dificuldade em uma obra, na qual o Construtor disse que não falaria comigo e queria um Engenheiro. Ele devia ter dormido no sofá este dia (risos). Mas algo nesse dia me levou a querer superar alguns desafios, o primeiro foi estruturas de concreto e estou gostando muito, é uma especialização desafiante,tenho mais assuntos a serem estudados e não pretendo parar apenas nesta especialização. Ela acrescentou muito no dia a dia na obra e escritório, me deu mais liberdade na hora de projetar e mais autonomia na obra. E sobre o construtor que me desaforou, ele foi o único. Eles merecem muito reconhecimento porque realmente pegar no pesado é para poucos, mas também estudamos muito e são vários dias em claro para alguém duvidar da nossa capacidade.

SAPF: Sobre ser mulher e trabalhar na área da construção civil, existe alguma dificuldade ou não tem diferença entre ser mulher ou homem? Se existe alguma dificuldade, como você encara isso e que dica você daria para mulheres que estão entrando nessa área?

Kátia: Sim, parece que não, mas tem diferença. Na resposta anterior falo um pouco sobre um acontecimento em que o construtor não queria me ouvir quando falei de algumas alterações que o cliente tinha pedido. Ele me pediu exatamente por um Engenheiro homem, porque no entendimento dele, arquiteta, mulher e com menos de 30 anos não era capaz de acompanhar uma obra. Foi a primeira e espero que a última obra que desisti de acompanhar, porque foi a opção mais saudável, apenas desistir de pessoas assim, do que tentar mudar o que a séculos acontece. Porém, precisamos ser persistentes, não estamos brincando, passamos por muita coisa, pressão em casa e julgamentos da sociedade para chegar a se formar, não podemos deixar pessoas nos falarem o que podemos ou não fazer.

SAPF: Fale um pouco sobre a insegurança logo após se formar, as dificuldades com os primeiros projetos e sobre a importância de fazer estágio durante a graduação.

Kátia: A insegurança vai acabando aos poucos. Faça estágio onde possa atender os clientes para ter uma maior experiência e contato. Não se acomode, peça para ir junto nas visitas de obra, tenha iniciativa e curiosidade.O primeiro projeto provavelmente fará tudo sozinha, é importante ter aprendido um pouco de tudo no estágio.

SAPF: Como cobrar por um projeto, existe um preço padrão dependendo o tipo de projeto ou varia dependendo a cidade?

Kátia: É cobrado de várias formas, normalmente é cobrado por metro quadrado. Existe um padrão de região. Com a crise o mercado de trabalho começou a ser um pouco desonesto. Alguns profissionais estão desvalorizando muito o valor do projeto, isso altera também o modo como negociar. O projeto deveria ser visto como ele realmente é, utilidade, estrutura e estética. Hoje é visto como uma prestação de serviços que vence o mais barato. A cada situação e tipo de projeto é necessário analisar como cobrar. Antes de tudo conhecer as necessidades do cliente, se é o caso só do arquitetônico, acompanhamento de obra, interior ou reforma.

SAPF: Fale um pouco sobre o seu trabalho, quais os tipos de projeto que faz em seu escritório e sobre suas parcerias.

Kátia: O Habitat ainda é novo, mas já tem uma variedade de projetos. Interiores, Marcenaria, Regularizações, ampliações, vistorias, desmembramentos e Reformas. Algumas reformas alteram completamente a estrutura, achei importante fazer parcerias com Engenheiros(as), são estruturas que necessitam de maior atenção. Uma dica é nunca confiar totalmente na estrutura existente, faça um estudo de disposição de novos pilares e vigas.

SAPF: Dê uma dica, no geral, para quem está se formando agora ou acabou de se formar.

Kátia: Seja paciente, as coisas vão melhorar. A vida segue ciclos, são altos e baixos. Não desanime entenda que a queda faz parte da caminhada e a queda pode ser o impulso que precisa para o salto até o sucesso.

 Eu, como acadêmica, tenho muitas dúvidas sobre como será depois da faculdade, poder conversar com um profissional da área me ajudou  a esclarecer algumas dúvidas e perder um pouco do medo e insegurança, muitos acabam de se formar e se veem perdidos, mas é importante acreditar, como disse a Kátia, tudo dará certo na hora certa, temos que ter coragem para sair da nossa zona de conforto, correr atrás, nos esforçar e nunca desanimar. Espero que esta entrevista também tenha te ajudado.

Muito obrigada pela disponibilidade Kátia, muito sucesso na sua vida e no seu escritório!

Conheça um pouco mais sobre a arquiteta Kátia Maia e seu trabalho:

Informações:

Nome: Kátia Aline Maia Pereira.
Nome do escritório: Habitat- Arch Design.
Onde cursou: Universidade Paranaense – UNIPAR (Umuarama).
Ano em que se formou: 2014.
Tempo na área: 5 meses de escritório, 2 anos na área de construções.
Endereço do escritório: Av Castelo Branco, nº 501-B – Terra Roxa- PR.
Pós graduação: Estruturas de Concreto (2016/2017

 

PROJETOS

 

Postado por Samara Varolo

Sou estudante do quarto ano de arquitetura e urbanismo; adoro interiores, gosto de ambientes aconchegantes e que refletem a personalidade do dono. Acredito que a arquitetura é uma forma de expressar sentimentos e causar emoções. Amo viajar e ver de perto a história da arquitetura.


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